domingo, 8 de setembro de 2019

Parte 1 - RPG


Ano passado eu morri, mas este ano eu não morro. Esta foi a primeira frase dita por Lenora ao levantar-se à meia noite. Chovia, relâmpagos criavam sombras monstruosas pelos aposentos de sua casa, na qual as portas abriam e fechavam, rangendo, sem que ninguém as tocasse e gemidos podiam ser ouvidos ao longe.

Ela relutava há tempos para sair da cama, pois não aceitava o fato de ter morrido tão jovem e, por isso, ter sido forçada a abandonar seu marido Tomás. Como tudo aconteceu é, para ela, tão obscuro quanto à noite. Lembra-se apenas de sentir a alma saindo do corpo, sugada por uma grande força, e se deparar com um cenário amedrontador: uma terra em que só havia noite, fantasmas lhe faziam companhia, mortos caminhavam pela beira dás águas e animais nojentos e carniceiros cercavam a sua casa. Ainda não havia se acostumado ao mundo dos mortos, que era tão diferente do mundo dos vivos.

Diante do choque de ter sido tirada do seu corpo à força e ter sido jogada nas sombras,



sábado, 7 de setembro de 2019

Parte 2 - RPG

(...) uma depressão profunda a derrubava. Solitária, a única forma com a qual tentava se distrair era com livros. Personagens, ao menos, poderiam fazê-la fugir da maldita situação em que se encontrava e que seria multiplicada por toda a eternidade até o fim dos tempos.

Lenora entra em sua biblioteca particular, silenciosa, com livros cheios de pó, teias de aranhas e cadáveres de ratos espalhados pelo chão. Passando os olhos pelos títulos, percebe que há um livro diferente em uma de suas prateleiras, chamado A cartomante. Curiosa, já que nunca o havia visto, abre-o e, magicamente, um holograma aparece projetado por suas páginas.


Este holograma trazia consigo um mistério e uma surpresa. Ela via-se nele... Era o seu futuro


sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Parte 3 - RPG


Segundo as imagens, ela seria professora em uma escola de mortos. Será que realmente é isso que o futuro tem reservado para ela? A profecia se cumprirá?

Toc-toc. Barulhos são ouvidos na porta. Ao abrir,apenas escuridão. Ao voltar para as estantes, nota que há um ser novo no aposento. Um corvo apareceu e pousou sobre o livro. Tão rápido quanto chega, desaparece, levando o livro juntamente com ele. A mulher entende que se trata, então, de um sinal. Não será possível à Lenora rever o holograma, pois sua surpresa pode ter alterado sua percepção, mas decide ir em direção ao que foi prenunciado.

Lembra-se de ter visto uma escola e decide sair de casa em busca dela. Ao encontrar a baía que separa a ilha em que vive do continente, avista uma barca, chamada Concessionária Caronte. O comandante, cheio de cicatrizes profundas das quais ainda jorrava sangue, carregava um corvo no ombro. Ao reparar no animal, creu estar no caminho certo.

“Última viagem para o continente!”, ele gritou. 

Apressada, ela entra na barca e segue viagem.